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Conheça o bioma onde desenvolvemos grande parte de nosso trabalho - A Mata Atlântica
Fonte: SOS MATA ATLÂNTICA
www.sosmatatlantica.org.br

A Mata Atlântica
está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ao longo de toda a costa brasileira a sua largura varia entre pequenas faixas e grandes extensões, atingindo em média 200 km de largura.

Assim, ao longo de todo sua extensão, a Mata Atlântica apresenta uma variedade de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano.

Descrição Visual

A Mata Atlântica possui camadas de vegetação claramente definidas. O explorador alemão Alexander von Humboldt a descrevia como uma "floresta sobre uma floresta". As copas das altas árvores formam o dossel e chegam a atingir de 30, 35 e até 60 metros de altura. O tronco das árvores, normalmente liso, só se ramifica bem no alto para formar a copa. As copas das árvores mais altas tocam-se umas nas outras, formando uma massa de folhas e galhos que barra a passagem do sol. Numa parte mais baixa, nascem e crescem arbustos e pequenas árvores, que são os bambus, as samambaias gigantes, líquens que toleram menos luz, formando os chamados sub-bosques.

Tanto nas árvores mais altas como nas mais baixas encontram-se várias outras espécies, como diversos tipos de cipós, bromélias, orquídeas e gavinhas. O piso da floresta é coberto pelas forrações. Esse chão é protegido pelas folhas e outros vegetais que caem das árvores ao longo do ano, que serve de alimento para muitos insetos, outros animais e principalmente aos fungos, que são os principais responsáveis pelo processo de decomposição da floresta. Assim, a floresta se alimenta dela mesma.

Aspectos Geográficos

A Mata Atlântica é muito biodiversa. Uma árvore de uma dada espécie nascida no nível do mar difere de uma árvore desta mesma espécie no topo da serra. Se uma variação de altitude apenas já exerce influencia significativa sobre as espécies, é possível imaginar o que a diferença de pluviosidade, temperatura, fertilidade dos solos, relevo, iluminação, entre muitas outras, gerou em termos de diversidade de flora, fauna, microorganismos, e os ecossistemas que estes compõem, ao longo do litoral brasileiro.

Próximo aos oceanos, estão as planícies de restinga, dunas, mangues, lagunas e outros estuários de menor proporção. Os mangues estão presentes às margens das lagunas ou de rios de água salobra, variando conforme as marés. Eles são considerados os berçários de grande parte da vida marinha.

Flora e Fauna

A Mata Atlântica representa uma grande riqueza de patrimônio genético e paisagístico, demonstrada por índices verdadeiramente impressionantes: 55% das espécies arbóreas e 40% para espécies não arbóreas são endêmicas (ou seja: uma, entre cada duas espécies ocorre exclusivamente naquele local). Os números não param por aí: 70% no caso de espécies como as bromélias e orquídeas e no caso da fauna, 39% dos mamíferos que vivem na floresta são endêmicos. Mais de 15% dos primatas existentes no Brasil habitam a floresta e a grande maioria dessas espécies é endêmica.

Comunidades Tradicionais da Mata Atlântica

Na Mata Atlântica existe também a riqueza cultural dos povos da floresta que são os quilombolas, os indígenas, os caiçaras, entre outros, que sempre tiveram incorporado em seus modos de vida, sistemas de apropriação de recursos naturais de baixo impacto ambiental.

Os quilombolas e caiçaras vivem atualmente o conflito de serem valorizados por terem contribuído com a preservação do ambiente e ao mesmo tempo são impedidos de realizar atividades tradicionais, como a roça de coivara e o extrativismo do palmito. Já os indígenas enfrentam o problema da própria extinção, não só culturalmente, mas numericamente, a cada dia diminui o número de indivíduos nas aldeias indígenas, em função das péssimas condições de vida.

O Equilíbrio Natural

Muitas espécies de plantas e de animais dependem diretamente da existência das florestas, seja para abrigo, seja para reprodução ou alimentação. Igualmente, algumas plantas dependem diretamente de animais ou insetos específicos para poderem se reproduzir. Neste complexo e delicado equilíbrio natural, a extinção de determinadas espécies compromete a existência de muitas outras.

Nas florestas tropicais, o equilíbrio provém principalmente da diversidade de espécies. Água abundante, luminosidade intensa e temperaturas altas e estáveis propiciam uma variedade de ocupação animal e vegetal que confere ao ecossistema da floresta complexas interações entre fauna, flora e elementos não-vivos.

A razão pela qual as frutas são normalmente coloridas e gostosas de comer é porque diversas plantas dependem de animais herbívoros para dispersarem suas sementes, que comem as frutas e, feita a digestão, liberam as sementes pelas fezes, prontas para germinar. Ambas as partes saem ganhando, as plantas dispersam seus genes e, como "gratidão", os animais ganham uma saborosa e nutritiva refeição.

Na floresta, existem plantas que exalam cheiros atraentes ou até mesmo simulam ser uma fêmea de algum animal com a função de atrair polinizadores, tais como abelhas, vespas, moscas, besouros, borboletas, mariposas, aves ou até morcegos.

Cada tipo de orquídea é atraente para um tipo de inseto. Suas formas, tamanhos e cores variam de acordo com a espécie que as poliniza. Há orquídeas que são polinizadas por moscas, tendo flores pequenas de cor vermelho-escuro combinadas com verde-pálido, o que imita a carne em decomposição. Já as mariposas têm uma língua comprida e visitam flores brancas, com um tubo bem longo onde está depositado o néctar. Os beija-flores gostam de cores vibrantes: as flores das espécies que contam com estes pequenos pássaros para sua polinização são geralmente tubulares, acompanhando o formato de seu bico. Nestas flores há também grande quantidade de néctar, afinal o beija-flor é bem maior do que uma abelha e necessita de mais "combustível".

As bromélias acumulam água e matéria orgânica em sua parte central, devido à forma de suas folhas, e a matéria orgânica retida nesse reservatório é decomposta para, posteriormente, ser absorvida por células especializadas, possibilitando a captação de nutrientes. A água retida em seu interior serve de habitat para vários organismos, como algas, protozoários, insetos e pequenos anfíbios.

Na dispersão das sementes, há plantas que produzem frutos ou sementes com asas ou pelos longos. O vento se encarrega de distribuí-las, ou em algumas espécies, estas se prendem ao pelo de animais passageiros. Outras plantas produzem frutos explosivos, que ao secarem lançam suas sementes a longas distâncias.

A gralha azul ao armazenar as sementes do pinhão para se alimentar, acaba por enterrá-las no solo se esquecendo do lugar onde as deixou. Assim, acaba por plantar as sementes, fazendo com que cresçam mais árvores de pinheiros.

Desafios da sustentabilidade da Mata Atlântica

Um dos grandes desafios daqueles que atuam em favor da conservação da Mata Atlântica é reverter o processo de diminuição da cobertura florestal natural para outros usos, que teve início com a colonização européia no Brasil.

Historicamente, vários são os fatores responsáveis pela destruição desse bioma: a exploração predatória dos seus recursos naturais e florestais; diversos ciclos econômicos, tais como, o do ouro, o da cana-de-açúcar, o do café e o da conversão de áreas para atividades agropastoris e pólos silviculturais; um veloz processo de industrialização e, conseqüentemente, urbanização, com as principais cidades brasileiras - mais de três mil municípios assentados hoje na área que originalmente foi a Mata Atlântica.

O resultado atual é a perda quase total das florestas originais intactas e a contínua devastação e fragmentação dos remanescentes florestais existentes, o que coloca a Mata Atlântica em péssima posição de destaque, como um dos conjuntos de ecossistemas mais ameaçados de extinção do mundo. De uma área original superior a 1,3 milhão de km² distribuída ao longo de 17 estados brasileiros, resta hoje apenas 7,3% desse total.

Sabe-se da qualidade de vida que a Mata Atlântica proporciona para citar alguns, primeiramente o vital: a água, já que ela protege e regula o fluxo de mananciais hídricos, que abastecem as cidades e principais metrópoles brasileiras. Além disso, controla o clima, abriga rica e enorme biodiversidade, preserva beleza paisagística e um patrimônio histórico de valor inestimável, abrigando várias comunidades indígenas, caiçaras, ribeirinhas e quilombolas, que constituem a genuína identidade cultural do Brasil.

No entanto, lamentavelmente, a relação do homem com a floresta é desde os primórdios até hoje: degradadora, predatória e insustentável.

É preciso deter e reverter urgentemente esse quadro. O desafio mais urgente passa a ser a sustentabilidade desse bioma.